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Mercado pet deve superar R$ 80 bilhões e abre espaço para novos negócios

O mercado pet continua avançando no Brasil e criando oportunidades para pequenos empreendedores. A expectativa do setor é ultrapassar R$ 80 bilhões em faturamento em 2026, impulsionado pela busca por alimentação de qualidade, saúde, bem-estar e produtos especializados.

Levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal mostra que mais de 41,6 mil pequenos negócios relacionados ao setor foram abertos entre 2023 e 2025.

Foram 12,7 mil novas empresas em 2023, 13,3 mil em 2024 e 15,5 mil em 2025. O crescimento no período chegou a 22%, e aproximadamente 91% dos negócios abertos são formados por microempreendedores individuais.

O animal passou a fazer parte das decisões de consumo

O crescimento não acontece apenas porque existem mais animais de estimação. A relação das famílias com cães e gatos também mudou.

Os tutores estão mais preocupados com longevidade, prevenção de doenças, alimentação, conforto e qualidade de vida. Como consequência, começaram a consumir produtos e serviços que antes ocupavam uma parcela menor do mercado.

O setor pet deixou de depender somente da venda tradicional de ração e passou a incluir soluções como:

- alimentação natural;
- petiscos funcionais;
- planos de saúde;
- fisioterapia e reabilitação;
- produtos para animais idosos;
- creches e hospedagens;
- serviços de banho e tosa especializados;
- transporte de animais;
- adestramento;
- assinaturas mensais;
- roupas e acessórios;
- tecnologia para monitoramento;
- fotografia e eventos para pets.

Mercado de gatos ganha destaque

Um dos segmentos que mais cresce é o de produtos e serviços para gatos.

O Brasil já possui aproximadamente 30 milhões de gatos, segundo os dados apresentados pelo Sebrae. O número de tutores cresce cerca de 2,5% ao ano.

Esse avanço cria oportunidades específicas para empresas que trabalham com alimentação felina, enriquecimento ambiental, móveis adaptados, brinquedos, caixas de areia, hospedagem e atendimento realizado na casa do cliente.

Muitos produtos criados inicialmente para cães não atendem corretamente às características dos gatos. Por isso, negócios especializados conseguem se diferenciar de lojas que vendem apenas produtos genéricos.

Oportunidades além do pet shop tradicional

Entrar no mercado pet não significa necessariamente abrir uma grande loja física.

O empreendedor pode começar atendendo uma necessidade específica, testando o serviço em uma região ou vendendo pela internet.

Entre os modelos que podem ser explorados estão:

Alimentação e petiscos

Produtos naturais, alimentos especiais e petiscos voltados a necessidades específicas ganham espaço. Entretanto, esse tipo de negócio exige atenção às normas sanitárias, conservação, validade e informações apresentadas ao consumidor.

Serviços móveis

Banho e tosa em domicílio, transporte, fotografia, adestramento e acompanhamento de animais podem começar com uma estrutura menor do que um estabelecimento tradicional.

Produtos para animais idosos

O aumento da longevidade dos animais cria demanda por rampas, camas ortopédicas, suportes de mobilidade, fraldas, suplementos e serviços de reabilitação.

Assinaturas

Clubes de produtos podem oferecer entregas recorrentes de ração, areia, petiscos, brinquedos ou itens de higiene. A recorrência facilita a previsão de receita, mas exige controle de estoque e logística eficiente.

Tecnologia

Aplicativos de agendamento, sistemas de gestão para pet shops, identificação, monitoramento, teleorientação e plataformas que conectam tutores a prestadores também fazem parte do setor.

Experiências e eventos

Festas, ensaios fotográficos, passeios, encontros de raças e espaços pet friendly criam oportunidades para profissionais de eventos, alimentação, fotografia e entretenimento.

Crescimento não significa lucro garantido

Os números chamam atenção, mas o aumento da quantidade de empresas também amplia a concorrência.

Um novo negócio precisa escolher um público específico e resolver um problema real. Abrir uma loja com os mesmos produtos encontrados em grandes redes e marketplaces pode levar a uma disputa baseada somente em preço.

Antes de investir, o empreendedor deve responder:

1. Quem é o cliente?
2. Qual problema será resolvido?
3. O serviço será local ou poderá ser vendido para outras regiões?
4. Quais autorizações serão necessárias?
5. O negócio depende de estoque?
6. Com que frequência o cliente voltará a comprar?
7. Qual será o custo para conquistar cada consumidor?
8. Existe margem suficiente depois de impostos, entrega e divulgação?

Como começar com menos risco

Uma estratégia mais segura é validar a procura antes de realizar um investimento elevado.

O empreendedor pode começar oferecendo uma quantidade limitada de produtos, atendendo uma região ou formando uma pequena base de clientes recorrentes.

Também é possível criar parcerias com veterinários, condomínios, hotéis, empresas de transporte, adestradores e estabelecimentos pet friendly.

Algumas ações ajudam a testar o negócio:

- conversar com tutores da região;
- identificar reclamações frequentes;
- pesquisar preços e concorrentes;
- criar uma oferta inicial simples;
- realizar vendas por encomenda;
- medir a recompra;
- registrar os custos reais;
- avaliar a satisfação dos clientes;
- ajustar o modelo antes de expandir.

Confiança é um diferencial decisivo

No mercado pet, o cliente não compra apenas um produto. Ele entrega ao negócio a responsabilidade de cuidar de um integrante da família.

Atendimento, higiene, segurança, transparência e qualificação profissional influenciam diretamente a decisão de compra.

Fotos reais, avaliações de clientes, explicação dos procedimentos e comunicação rápida ajudam a construir credibilidade. Dependendo da atividade, também será necessário contar com profissionais habilitados e cumprir regras sanitárias e técnicas.

Um setor grande, mas cheio de nichos

O mercado pet brasileiro já movimenta dezenas de bilhões de reais, mas ainda apresenta espaço para soluções especializadas.

As melhores oportunidades não estão necessariamente em competir com grandes redes. Elas podem surgir na alimentação personalizada, no atendimento domiciliar, nos cuidados com animais idosos, no crescimento da população de gatos e nos serviços recorrentes.

Para o pequeno empreendedor, o caminho mais promissor é escolher um nicho, conhecer profundamente o comportamento dos tutores e construir uma operação baseada em confiança.

Fontes:

Sebrae-SP - crescimento dos pequenos negócios no mercado pet:
https://sp.agenciasebrae.com.br/cultura-empreendedora/sebrae-sp-leva-25-pequenos-negocios-a-pet-south-america-e-amplia-oportunidades-para-empreendedores-do-setor/

Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação - informações do setor:
https://abinpet.org.br/informacoes-gerais-do-setor/

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